Os Besteiros do Monte (1422-1498). Das Matas aos Campos de Batalha
Sinopse
O presente artigo resulta de um conjunto de reflexões desenvolvidas no âmbito do nosso projecto de dissertação de mestrado, dedicado ao estudo da milícia concelhia dos besteiros do monte. Esta milícia terá surgido no século XV e, ao contrário de outras milícias concelhias que atuaram no território português, continua a suscitar diversas interrogações historiográficas. Os besteiros do monte, também designados como besteiros da fraldilha (ou faldrilha), apresentam uma expressão documental mais reduzida quando com-parados com outros corpos de besteiros, o que dificulta a determinação do momento exato da sua criação. Não obstante, as referências a este corpo tornam-se progressiva-mente mais frequentes ao longo dos reinados de D. Afonso V e de D. João II, verificando-se um crescimento particularmente significativo durante o reinado de D. Manuel I. Do ponto de vista militar, caracterizam-se como um corpo de infantaria ligeira que desempenhou um papel relevante nas campanhas militares no Magrebe, assumindo especial importância na preparação das almogavarias, bem como na participação direta nestas incursões. Em 1498, atingem o que poderemos designar como o seu período áureo, na sequência das decisões tomadas por D. Manuel I nas Cortes de Lisboa, onde foram ex-tintas as restantes milícias que utilizavam a besta como principal arma, permanecendo apenas os besteiros do monte. Tal opção justificava-se pela sua reconhecida utilidade estratégica, sobretudo no Além-Mar.
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